Uma das fases mais importantes do desenvolvimento humano é a infância. Um evento traumático como o abuso sexual pode ser determinante para o restante da vida, causando, inclusive, sequelas neurológicas graves. É dentro de casa que ocorre a maior parte dos casos de abuso infantil. Em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, é realizada a campanha Maio Laranja, que visa tirar o tema da invisibilidade.
A neuropediatra Daniela Godoy, da Clínica N3, explica que, quando há um abuso sexual, a parte funcional do cérebro pode ser afetada e as redes neurais transformadas, porque há liberação de muitas substâncias estressoras. “Isso modifica o cérebro para toda a vida, pois ele aprende a funcionar dessa forma e a pessoa passa a viver em constante sofrimento”, esclarece.
A violência sexual pode gerar isolamento, medo, insônia, queda no rendimento escolar, dificuldade de concentração e mudanças de humor e de comportamento. Em longo prazo, esses sintomas podem desencadear transtornos psiquiátricos graves. As sequelas podem ser reversíveis, mas, para isso, a criança ou o adolescente precisa contar com uma rede de apoio. O tratamento deve ser feito por uma equipe multidisciplinar que inclua médico, psicólogo, assistente social, família e escola. “As vítimas precisam receber apoio e nunca julgamento”, frisa a neuropediatra.
Fique atento e denuncie
Para identificar se há um caso de abuso, os pais e as pessoas próximas devem ficar atentos à conduta da criança e/ou adolescente. Muitas vezes, a vítima muda de comportamento quando está perto do abusador. Diante de uma situação de abuso, é fundamental procurar ajuda e fazer a denúncia para interromper a violência e garantir assistência médica e psicológica às vítimas. Disque 100, delegacia, Conselho Tutelar e Ministério Público são alguns dos canais de denúncia.