O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva e irreversível que acomete a memória, as funções cognitivas e provoca alterações de comportamento e personalidade. É o distúrbio cerebral mais comum entre a população idosa: acomete cerca de 10% das pessoas com mais de 65 anos. Segundo a OMS, existem aproximadamente 35,6 milhões de pessoas diagnosticadas no mundo, sendo cerca de 1,2 milhão no Brasil.
As alterações cerebrais podem ser descritas conforme a fase da enfermidade. Na fase pré-clínica não há sintomas identificáveis; depois há o comprometimento cognitivo leve, com alterações de memória sem interferência nas atividades cotidianas; e, por fim, a doença propriamente dita, em estágios leve, moderado e grave. O neurologista Dr. Leonardo Camargo, da Clínica N3, esclarece que, com o passar do tempo, é comum haver agravamento do quadro e que o paciente passa a demandar cuidado integral.
O diagnóstico é muito importante: quanto antes for fechado e o tratamento iniciado, maiores serão as possibilidades de controlar os sintomas. Manter uma boa alimentação, praticar exercício físico, evitar fatores de risco (como tabagismo, má qualidade do sono e hipertensão), estimular a atividade do cérebro e treinar a mente com exercícios cognitivos e leitura são estratégias que ajudam a retardar o processo degenerativo.
Porções de carinho
No dia a dia, doses extras de carinho são indispensáveis para uma melhor qualidade de vida do paciente, afinal, a doença pode apagar as lembranças, mas não o amor recebido. Atitudes simples melhoram a comunicação: evitar ruídos e distrações; buscar sempre tranquilizá-lo; não discutir, brigar ou gritar; falar devagar, com bom tom de voz e olhando nos olhos; manter a calma e ter paciência; e, sempre que possível, utilizar o humor.
Para ajudar o paciente a acessar suas emoções, a família ou o cuidador pode utilizar recursos como músicas, filmes, comidas e fragrâncias. A memória musical permanece preservada nos mais diversos estágios da doença, e a musicoterapia ajuda a reduzir o estresse e a agressividade. “A sensação de segurança na relação impacta tanto no cuidado diário quanto no prognóstico da evolução sintomática”, comenta Dr. Leonardo, reforçando a importância do tratamento multidisciplinar e integral do paciente e dos familiares.