Saúde mental

Black Friday e os gatilhos para a crise de ansiedade

O período de descontos e a ideia de oportunidade única para as compras podem prejudicar o bolso e também o bem-estar mental

A Black Friday bate à porta e muitos estão na expectativa de fazer boas compras em um período relativamente curto de 24 horas. É aí que mora o perigo. Um estudo identificou que a ansiedade está entre as principais sensações do consumidor em relação à data, sendo que, quanto mais perto, mais intensa ela é. O sentimento de urgência provocado pelo marketing de escassez, associado à ideia de oportunidade única, são características que podem aflorar a ansiedade — e até a compulsão por compras.

A psicóloga especialista em Neuropsicologia, Samanta Cóser, da Clínica N3, explica que, em níveis normais, a ansiedade é saudável, pois é um sentimento natural do ser humano, um mecanismo de defesa que o prepara para situações que irão acontecer. Em contrapartida, ela se torna um problema quando começa a aparecer com intensidade desproporcional ao que está acontecendo ou em situações descontextualizadas.

Batimentos cardíacos acelerados, agitação no corpo, respiração ofegante, sudorese, pensamentos acelerados e preocupação excessiva são os sintomas mais comuns de uma crise de ansiedade. Algumas situações podem ser gatilhos, como as propagandas que estimulam a corrida por preços imperdíveis. “Isso ocorre porque a pessoa que fica muito conectada ao que vai acontecer antecipa a angústia”, comenta Samanta.

Dicas para a Black Friday

A psicóloga cita algumas dicas que fazem diferença na hora da compra: ao selecionar o que deseja adquirir, coloque o item no carrinho (se for online) ou vá até o provador, deixe o produto em stand-by um pouquinho e avalie se ele é realmente necessário para aquele momento, se dá para esperar e se o preço compensa. “Se parar uns minutos para pensar de forma consciente sobre a compra, provavelmente conseguirá tomar a decisão mais acertada”, afirma.

Ansiedade no dia a dia

Algumas mudanças de hábitos ajudam a diminuir a ansiedade, a começar pela boa qualidade do sono: é necessário aprender a se desconectar na hora de dormir, seja de notícias, de telas, de atividades ou de alimentos estimulantes. É fundamental ter um hobby, um momento de lazer, de “desligar” o cérebro das preocupações do trabalho para relaxar o corpo e a mente. Para os momentos de crise, a primeira atitude é tentar se acalmar e trabalhar a respiração diafragmática.

Terapia e medicamento

É importante procurar um profissional capacitado para que, por meio da terapia, a pessoa identifique quais são os gatilhos que provocam a ansiedade e aprenda a lidar com esses sentimentos. Em alguns casos há indicação para tratamento conjunto com psiquiatra ou neurologista para uso de medicação que alivie as crises. Não tratada, a ansiedade pode chegar a níveis tão altos que deixam a pessoa em estado de alerta o tempo todo, inclusive durante o sono.

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.
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