Neurologia

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA): sintomas, diagnóstico e tratamento

Essa doença degenerativa do sistema nervoso afeta os músculos, causando paralisia motora progressiva e irreversível

O Dia de Conscientização da Esclerose Lateral Amiotrófica é celebrado mundialmente em 21 de junho. O objetivo é sensibilizar profissionais da saúde e a população sobre essa doença neurodegenerativa rara que afeta o sistema nervoso e prejudica os músculos, comprometendo os movimentos e a fala. Segundo dados do Ministério da Saúde, no Brasil surgem anualmente aproximadamente 2,5 mil casos.

O neurologista Dr. Leonardo Camargo, da Clínica N3, esclarece que a ELA acomete os neurônios motores superiores (córtex motor cerebral) e os neurônios motores inferiores (medula espinhal e tronco encefálico). A atrofia muscular leva a uma fraqueza generalizada e progressiva, que compromete a movimentação, a mastigação, a fala, a deglutição e a respiração. Sintomas depressivos e ansiosos também são frequentes, além de dor, câimbras e endurecimento dos músculos.

Não há uma causa específica para o surgimento da ELA, visto que o processo degenerativo tem etiologia complexa e multifatorial. Na maior parte das vezes, o início dos sintomas ocorre entre os 45 e os 65 anos de idade. No geral, a prevalência é discretamente maior em homens e a sobrevida média é estimada entre três e cinco anos.

Diagnóstico

Para o diagnóstico são considerados aspectos clínicos somados à avaliação neurofisiológica (eletroneuromiografia), além de exames que auxiliam na exclusão de quadros semelhantes (como ressonância magnética e exames laboratoriais). Os critérios atualizados focam na simplicidade e na possibilidade de diagnóstico mais precoce, com base no comprometimento motor progressivo, na presença de comprometimento dos neurônios motores superiores e inferiores e na exclusão de outras condições.

Histórico familiar

Qualquer pessoa pode desenvolver ELA, mas quem tem histórico familiar deve ficar mais atento. A forma esporádica representa cerca de 90-95% de todos os casos; os casos familiares, com base genética, representam de 5% a 10%. Nesses casos, o diagnóstico precoce e o aconselhamento genético podem impactar na não propagação da doença em outras gerações.

Tratamento

A ELA não tem cura, portanto o tratamento é voltado para a minimização dos sintomas, com a atuação de uma equipe multidisciplinar e medidas adequadas de suporte, incluindo fisioterapia, fonoterapia, terapia ocupacional, nutrição e psicoterapia. É fundamental iniciar os cuidados paliativos desde o diagnóstico. O correto manejo clínico inclui medicações sintomáticas, suporte ventilatório não invasivo quando necessário e suporte nutricional. Em alguns casos, pode ser necessária abordagem cirúrgica, como gastrostomia e traqueostomia.

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.
Agendar consulta Voltar ao blog