Neurologia

(Des) Memória de mãe: o que acontece com o cérebro na gravidez

Enquanto o bebê é gerado, o corpo da mulher passa por inúmeras transformações que favorecem a proteção do feto e beneficiam o seu desenvolvimento

A gravidez provoca inúmeras mudanças visíveis, e a que mais se destaca é o crescimento da barriga. Porém, há transformações que não são esperadas pela maioria das mulheres, mas que têm grande influência durante a gestação: a falta de atenção e os lapsos de memória. A ciência já comprovou que o esquecimento é comum na gravidez, embora não aconteça com todas as mulheres.

Esse fenômeno, conhecido como momnesia (amnésia de mãe) ou pregnancy brain, ocorre porque a gestante sofre importantes alterações físicas no córtex cerebral, a massa cinzenta, parte ligada à cognição social. Pesquisas apontaram, como uma das principais mudanças, a diminuição da área do cérebro responsável pela atenção.

“Tais reduções ocorrem substancialmente em regiões cerebrais que são responsáveis por reconhecer os bebês, principalmente os próprios filhos. Essas mudanças parecem ter relação com o apego entre a mãe e o filho”, observa Dr. Leonardo Camargo, neurologista da Clínica N3. Durante a gravidez, surtos hormonais radicais desencadeiam adaptações biológicas no corpo e no cérebro feminino que beneficiam a proteção e o desenvolvimento do feto.

Audição refinada

A primeira evidência concreta do aumento significativo do volume cortical em relação à interpretação confiável do choro do recém-nascido foi publicada em 2021 no Journal of Clinical Medicine. “O estudo revelou também uma tendência de maior aumento pós-parto nas regiões do hemisfério cerebral direito, o que pode estar relacionado à capacidade de discernir o tom, o som e o volume do choro de um bebê”, acrescenta Dr. Leonardo.

Como driblar o esquecimento?

Para as grávidas que não querem cometer deslizes (ou, pelo menos, diminuí-los), a dica é recorrer às tradicionais listinhas ou criar um bloco de anotações com alarme no celular. Vale lembrar que algumas alterações tendem a ser duradouras, já que a redução da substância cinzenta pode durar pelo menos dois anos após o nascimento do bebê.

Conteúdo informativo; não substitui avaliação médica.
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